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ActionAid Moçambique lança campanha contra casamento prematuro e gravidez precoce em Namarrói, sob lema “casar só depois dos 18”

Casamentos prematuros, gravidez precoce, e a pobreza são apontados como barreiras para a emancipação da mulher, em particular as rapariga no distrito de Namarrói, Província da Zambézia. Essa constatação foi proferida pela Amina Issa, Coordenadora da Prioridade dos Direitos da Mulher na Associação ActionAid Moçambique (AAMoz). Na mesma alocução Amina Issa disse ainda que um dos caminhos para que a rapariga ganhe a sua autonomia, poder de negociação e ocupe os espaços para o desenvolvimento socioeconómico das suas comunidades é investindo na educação e chamou os pais e encarregados para fazerem parte desse processo. “Os pais e encarregados da educação são chamados a contribuir e acompanhar a educação das raparigas, porque a educação dela é dever de todos nós, por isso vamos dizer todos dizer não ao casamento prematuro, não a gravidez precoce”, declarou Amina.

Na sua intervenção de abertura, o secretário permanente do distrito de Namarrói, Arvisto Aerone destacou a importância da realização da conferência, tomando em consideração o valor da educação da rapariga como garante do desenvolvimento harmonioso e sustentável das políticas alternativas socioeconómicas e culturais para melhoria das condições de vida das comunidades. “ Os temas desta conferência reflectem as preocupações do governo e seus parceiros de cooperação sobre a importância da promoção da educação da rapariga, sua inclusão numa sociedade livre de violência baseada no género, no combate aos casamentos prematuros e gravidez precoce, apontados como principais obstáculos para o acesso e retenção da rapariga na escola”, afirmou Arvisto Aerone.

No mesmo discurso, Aerone anunciou outros obstáculos, não menos importantes, que o distrito tem enfrentado para a educação da rapariga, dentre eles listam-se problemas financeiros por parte dos pais e encarregados, o que faz com que as crianças sejam submetidas a trabalhos infantis para a sua sobrevivência e da família em geral; as raparigas têm pouco tempo para estudar, visto que realizam muitos trabalhos domésticos; migração, divórcio dos pais e encarregados que concorrem para a desistência da criança, sobretudo a rapariga na escola.

Diante dos obstáculos acima referidos, o secretário permanente enfatizou a importância dos pais e encarregados de educação na escolarização da rapariga. “ Apesar de haver uma mudança de atitude de vários actores sociais, principalmente as comunidades, através de conselhos de escola que participa de forma activa na gestão escolar, é desafio ainda a igualdade de género e não é possível promover a igualdade de género sem tomar em considerarão as mudanças na estrutura familiar na perspectiva de entenderem as necessidades das mulheres ou raparigas”, sublinhou Arvisto.

Em jeito de fecho, o secretário permanente convidou a todos presentes para que trabalhem em prol do bem-estar da rapariga e que se comprometam e promovam um ambiente são e saudável para que as escolas estejam livres das desistências, gravidezes precoce, casamentos prematuros, falta de segurança e que garantam um ambiente de conforto para que as crianças gozem do direito de educação de qualidade e tomem parte activa do processo de desenvolvimento das suas famílias e comunidades.